REVISTA DA UFG - Tema INFÂNCIA
Órgão de divulgação da Universidade Federal de Goiás - Ano VI, No. 2, dezembro de 2004

MENEZES, S. M. S - Poesia e infância. Revista da UFG, Vol. 5, No. 2, dez 2003 on line (www.proec.ufg.br)

POESIA E INFÂNCIA
Sônia Maria dos Santos Menezes1
   

 

Resumo: Esse trabalho tem por objetivo destacar a importância da vivência poética para a criança, bem como a importância da leitura de poemas na escola. No panorama da poesia infantil no Brasil destaca-se a produção poética de Roseana Murray, poetisa contemporânea com vários livros de poesia para crianças.

Palavras chave: poesia; infância; imaginário.

Até meados da década de 60, a poesia infantil brasileira era caracterizada por um grande conservadorismo e um total compromisso com a pedagogia vigente à época. Temas como a exaltação da pátria e dos valores cívicos, morais e familiares eram norteadores da produção poética destinada ao público infantil. A voz que se fazia ouvir era a do adulto que, colocando-se num plano superior ao da criança, pretendia ensinar os valores morais. A  vivência e o cotidiano infantil não se manifestavam ainda nessas produções literárias. Com Cecília Meireles, a poesia infantil brasileira encontrou seu caminho e seu público alvo e o que se buscou desde então foi centrar, na criação poética, o mundo da criança, seu cotidiano e seus interesses. As cantigas de roda, trava-línguas, parlendas e outras variações folclóricas passaram a servir de fonte de inspiração para o exercício da poesia infantil.

      De acordo com Bachelard em O ar e os sonhos (2001, p. 2), “O poema é essencialmente  uma aspiração a imagens novas. Corresponde à necessidade essencial de novidade que caracteriza o psiquismo humano”. A poesia requer profundo devaneio e memória. Bachelard continua a refletir sobre o assunto em A poética do devaneio (1988, p. 7): “Notemos, aliás, que um devaneio, diferentemente do sonho, não se conta. Para comunicá-lo, é preciso escrevê-lo, escrevê-lo com emoção, com gosto, revivendo-o melhor ao transcrevê-lo”.  Em outras palavras, são os poetas que irão nos ajudar a reencontrar a infância viva, permanente, durável, imóvel, e é a poesia que irá  nos renovar: “somos feitos para respirar livremente. [...] E é nisso que a poesia – ápice de toda alegria estética – é benéfica” (BACHELARD, 1988, p. 24-25). Só a leitura nos salvará, nos proporcionará intensos momentos de regresso ao tempo acolhedor da infância e à superação de uma existência limitada. Ainda segundo o filósofo, é esse excesso de infância que será capaz de produzir o germe do poema:

Nos devaneios da criança, a imagem prevalece acima de tudo. As experiências só vêm depois. Elas vão a contra-vento de todos os devaneios de alçar vôo. A criança enxerga grande, a criança enxerga belo. O devaneio voltado para a infância nos restitui à beleza das imagens primeiras. (BACHELARD, 1988, p. 28).

Os poetas devem ser capazes de nos convencer de que todos os nossos devaneios de criança merecem ser rememorados. Ainda citando Bachelard (1988, p. 110-11), “É preciso embelezar para restituir. A imagem do poeta devolve uma auréola às nossas lembranças. Estamos longe de uma memória exata, que poderia guardar a lembrança pura emoldurando-a. [...] A infância vê o Mundo ilustrado, o Mundo com suas cores primeiras, suas cores verdadeiras”.

Refletindo sobre essas idéias, entendemos que, se para o público adulto os critérios são variados e exigentes, maior cuidado merece o leitor infantil. Assim, produzir uma poesia destinada à infância não é uma tarefa simples de ser realizada devido a essa intrincada grandeza da germinal do poema, imbuído de uma memória e de uma infância poéticas. Diferentemente do que se possa pensar, não existe público mais exigente no que se refere aos seus interesses de leitor do que o público infantil. O texto precisa ser bem construído, despertar sua sensibilidade para conquistá-lo e prendê-lo definitivamente.

As crianças de hoje são ávidas de novidade e necessitam visualizar tudo, tamanha a quantidade de informações e imagens às quais se encontram ligadas. O mercado dita normas, regras e indica o que se deve consumir. Para a poesia, tão sutil e sensível, não é fácil penetrar nesse reduto ditado pela moda, pela mídia e, especialmente, pela velocidade. Trata-se de uma competição desleal, se levarmos em conta que, para ler poesia, a criança precisa estar concentrada e envolta num clima de silêncio e tranqüilidade. Caberia, então, a pergunta: como conseguir isso em meio ao barulho da vida moderna? Ou então: como conseguir a atenção desse público para quem a imagem visual é tudo?

Um caminho para despertar o interesse das crianças, atualmente muito utilizado pelo mercado editorial, é o apelo visual do livro, obtido através de um diálogo eficiente entre texto, ilustração e projeto gráfico. Atentos a esse aspecto, muitos editores têm conseguido produzir obras poéticas, ricamente ilustradas, numa linguagem gráfica bastante inovadora. A ilustração não rouba a cena da poesia, pelo contrário, enriquece-a bastante, dando-lhe um caráter de completude. Segundo Maria Zaira Turchi (2002, p. 25), “Mesmo em livros de poesia infantil as imagens visuais ganharam relevo; até o poema, forma literária completa em si mesma, tem tido sua possibilidade interpretativa ampliada no diálogo com a ilustração”.

Em meio a essa crise, a esse caos da vida moderna, envolvendo todos os seus contornos, fomos buscar, na poesia de Roseana Murray, a compreensão de um projeto poético para crianças. Este artigo contempla algumas questões que são objeto da nossa pesquisa de mestrado1 sobre a poesia de Roseana Murray. Nos seus livros, percebemos um diálogo rico das imagens criadas no jogo entre o texto e a ilustração, garantindo a qualidade pictórica das obras, mas sem perder a riqueza  poética do texto.

No âmbito da literatura infantil brasileira, Roseana Murray, nascida no Rio de Janeiro, em 1950, é uma das representantes de nossa poesia que tem traçado um caminho singular e diferenciado no percurso da lírica moderna. Dedicando sua obra literária basicamente ao público infantil e juvenil, sua poesia ultrapassa essa fronteira da faixa etária, devido à construção de um projeto estético singular e inovador, capaz de transformar a poesia numa  aliada contra o peso das agruras e dos dissabores da vida. Seus poemas, fazendo amplo uso de uma linguagem metafórica, permitem ao leitor transcender o lúdico, radicando-se de vez no poético. Talvez essa seja a sua maior contribuição, o que permite enquadrar a poetisa em um projeto diferenciado, dotado de algumas das mais inovadoras características da linguagem poética moderna: ruptura com a tradição, lucidez, exatidão, leveza e universalidade. A palavra, a simples palavra do dia-a-dia, transmuta-se, transforma-se  em sentidos novos, em metáforas sutilmente bem contornadas no contexto poético da sua obra, elevando-a a uma categoria estética realmente surpreendente.

Sempre em edições primorosas, com ilustrações de extrema beleza, seus poemas fornecem ao leitor a senha de acesso a um outro mundo, o mundo da poesia, sendo capazes de trazer ao presente os anseios primeiros; isso contribui para o futuro desenvolvimento da sensibilidade estética no jovem leitor. Em Manual da delicadeza de A a Z (2001), ilustrado por Elvira Vigna, a poetisa resgata, numa espécie de dicionário afetivo, as noções que orientam o bem viver, o bem  relacionar-se com o outro e o bem compreendê-lo por meio de uma norma e de uma regra simples: a delicadeza.

Roseana Murray consegue muito mais do que simplesmente escrever um manual.  Ao direcionar sua forma literária para o fértil terreno do imaginário infantil, ela arrebata outros seguidores, interessados tanto em poesia como em fazer dela uma parte significativa do seu compromisso com o existir e com o humanizar-se. O livro é organizado  em ordem alfabética (um título de poema  para cada letra do alfabeto), numa seqüência capaz de dialogar com o leitor. É interessante notar que, ao fazer essa escolha, fica clara a importância do alfabeto no aprendizado da leitura, ou seja, ele é o passo inicial para penetrar no mundo simbólico da escrita onde tudo começa pela letra A, primeira letra, e termina no Z, última letra do alfabeto.

Seu manual foi organizado dessa maneira intencionalmente, a fim de facilitar o entendimento necessário que se precisa para exercer e praticar a delicadeza. E dentre as muitas possibilidades de palavras, Roseana Murray escolheu, privilegiando algumas: afago, bem-estar, carícia, dádiva, esperança, fonte, gavetas, horizonte, invisível, jardim, luz, moinho, nuvens, olhar, pássaros, querubim, rosto, silêncio, tempo, universo, voz, xale e zelo. A primeira palavra é afago e a última é zelo. As duas convidando à aproximação, ao toque, ao cuidado com o outro. Todas as palavras, cuidadosamente selecionadas e combinadas, sugerem, nas imagens poéticas, uma situação de leveza que contraria o peso do viver, ao enfatizar situações que permitem ao leitor visualizar o outro e perceber tanto sua existência, como sua solidão e suas tristezas.

Esse livro de poesia para crianças enquadra-se perfeitamente em todas as características propostas por Ítalo Calvino (1990) que aponta a leveza, a rapidez, a exatidão, a visibilidade e a multiplicidade como valores capazes de resguardar a linguagem poética e sensível da literatura para as gerações futuras. Uma dessas características apontadas por Calvino se encontra de modo mais evidente em todos os poemas: a leveza que, como afirma Elvira Vigna (p. 31) a respeito da obra,  faz  “acrescentar céus onde não havia”.

Confirma o nosso ponto de vista, o depoimento de Ferreira Gullar, na contracapa do livro: “A poesia de Roseana Murray é feita de delicadezas e transparências, como se  ela falasse para mostrar o silêncio. E assim a linguagem alcança a condição de pluma ou porcelana”. Isso nos faz lembrar que as penas voam embaladas pelo ar e que as antigas porcelanas chinesas são chamadas de casca de ovo, pela sua fragilidade. Nas mãos, não têm peso algum e quem as preserva ainda hoje as guarda como verdadeiros tesouros, carregados de aura e de saudade. Assim se justifica a própria poetisa, explicando as razões de seu Manual: "Assim nasceu este manual: a partir de cada letra uma palavra, a partir de cada palavra um poema. A vida deveria ser uma teia de infinitas delicadezas. Ao invés de  uma porta  fechada, horizontes, ao invés de um grito, girassóis". (MURRAY, 2001, p. 30).

Todos os vinte e três poemas parecem tocados pelo rico campo semântico relativo aos significados de leveza, dos quais foram escolhidos  poemas dentre os mais representativos. Isso fica bastante evidenciado no poema “Querubim” (p. 21):

Hoje um anjo pousou

em meus olhos:

eu caminhava,

e de repente,

tudo ficou

tão leve e alado,

havia em todos,

nas ruas e nas casas,

um desejo de querer bem,

de repartir o pão,

de inventar jardins

e gestos delicados.

Todos amavam todos

numa ciranda infinita,

que dava a volta no mundo

fazendo um anel de luz.

Percebe-se, nesse poema, que a autora, assim como propõe Calvino, esforça-se por retirar peso, tornando leves e agradáveis alguns elementos importantes da poesia:  a figura humana, a cidade e a linguagem. A figura humana fica destituída de peso, pois é remetida ao sentimento de querer bem ao outro; vira um anjo, fica leve, tocada por esse sentimento. O mesmo ocorre com a cidade:  “[...] nas ruas e nas casas, / um desejo [...] / de inventar jardins [...]”. Criar jardins, plantar flores, embelezar com eles as ruas e as casas faz com que a cidade fique mais leve, mais bonita, mais pronta para ser habitada por nós. Nesse caso, Roseana seleciona cuidadosamente as palavras que melhor representam a leveza, como é o caso das palavras ciranda infinita e depois anel de luz, que vão ao encontro de alguns dos maiores anseios da humanidade: liberdade, igualdade e união entre os povos. E esse cuidado se exerce com rigor em todos os poemas do livro, pois neles, concretamente, as palavras dão a idéia de que a vida, exercida com delicadeza, fica mais leve e mais agradável de ser vivida.

O poema “Gavetas”  (p. 10)  é outra composição de Roseana em que o elemento leveza emana das palavras, como se a  escritora tivesse a intenção de proporcionar realmente  um afago na alma do leitor, um carinho poético que o convida, delicadamente, a adentrar no mundo das sensações, do bem-estar e dos sentimentos agradáveis. Em outras palavras, no poema “Gavetas”, a poetisa consegue transcender a palavra propriamente dita e nela ver mais que sons ou símbolos que expressam idéias, pois expressam também algo capaz de subverter o seu próprio sentido e provocar mudanças no outro, tamanha a leveza escondida nas metáforas que continua a utilizar  principalmente por meio dos substantivos delicadeza , seda (que se repete duas vezes), sopro, vôo, e borboletas:

Com delicadeza

abrir as gavetas

que guardam

as palavras de seda.

Deixá-las sempre

ao alcance

de um sopro,

prontas para o vôo,

para o ouvido,

para a boca.

Palavras de seda

são como borboletas

douradas

quando pousam

no coração do outro.

Para Calvino (1990, p.39), como já salientamos anteriormente, a literatura tem, também, a função existencial de buscar a leveza como uma  reação possível ao peso do viver. Como observado  no poema “Gavetas”, essa função é exercida criando-se a leveza no processo de escrever,  pois os signos da leveza encontram-se semanticamente entranhados nas palavras desse poema. Diferentemente do que se possa pensar, a leveza não prescinde do peso. Paradoxalmente, esta contém em si os germes necessários para a produção de seu estado contrário. Isso é muito bem observado por Calvino (1990, p. 19), quando se refere ao romance de Milan Kundera, A insustentável leveza do ser. Ele diz que há nesse romance a constatação amarga da incontingência do peso da vida. Nas palavras de Calvino, esse romance nos mostra como, na vida, tudo aquilo que escolhemos pela leveza acaba bem cedo se revelando um peso insustentável.

Tomando um caminho menos comprometido com o pessimismo (ou mesmo realismo) revelado por Kundera, no poema “Nuvens”  (p.17), Roseana prefere, platonicamente, sugerir a seus leitores uma maneira para sustentar a leveza, como se percebe nos trechos que se seguem: “[...] há que esquecer  / todo o peso / terrestre / e transformar / em luz, / palavras em estrelas”.  A poetisa revela aí, por meio de uma sutil seleção e combinação de palavras, os cuidados necessários para cultivar a leveza. Mas nem por isso a autora furta-se de demonstrar, implicitamente, sua consciência quanto ao jogo dialético e necessário que se estabelece entre o peso e a leveza. Isso pode ser observado na leitura dos trechos: “Caminhar em nuvens / é o mais lento /  e duro aprendizado”.

            Roseana consegue, não apenas no poema “Nuvens”, como também nos demais poemas contidos em seu Manual, transcender, ser delicada e transparente de uma maneira tão sensível, que é capaz de revelar ainda o silêncio, contido na dureza das ruas, das pedras, do chão e das paredes que ilustram os poemas. 

      A recorrência de determinadas palavras, longe de constituir-se em um mero recurso de repetição, é utilizada com maestria por Roseana, ao longo de todos os poemas contidos no Manual da delicadeza de A a Z, sendo justamente a palavra delicadeza a que primeiro chama a atenção.    Feito um levantamento, constata-se que o termo delicadeza repete-se na maior parte dos poemas, aparecendo quatorze vezes ao todo.  Trata-se de um substantivo abstrato que estimula a idéia da não descartabilidade dos valores, por meio  de pequenos gestos e atitudes, o que pode ser verificado em outros poemas como: "Dádiva",  "Esperança", "Fonte",  "Gavetas",  "Horizonte",   "Invisível",  "Jardim", "Moinho", "Nuvens", "Olhar".

Outra palavra recorrente é seda, substantivo concreto convertido em imagem poética. Considerando o seu campo de significação, esse vocábulo faz-nos lembrar que a seda é leve, macia, suave, tem brilho, é resultado de um trabalho milenar; veio do Oriente, lugar exótico, fascinante e mágico por excelência. Assim, “as palavras de seda” conseguem pousar “no coração do outro” devido ao  seu poder de significação, pois são palavras delicadas: sugerem ao leitor/receptor um clima de leveza e bem-estar, numa constante reação ao peso de viver.

Outros substantivos que aparecem bastante nessa obra de Roseana são: água (11 vezes); luz (9 vezes); estrelas (14 vezes); e,  pele (9 vezes). Estas palavras também sugerem a leveza  e são transformadas  em significados capazes de romper com  a idéia de peso.

A palavra água, por exemplo, evoca o sentido de água límpida, transparente, o que sintetiza a idéia de depuração da alma por meio de afago e carícia, como se percebe nos versos retirados do poema “Afago” (p. 4), composição inicial com a qual Roseana abre seu convite em busca do mundo da leveza:

Afago é palavra bela,

traz dentro água

em movimento,

água escorrendo,

[...]

Afagar o outro

em nossa água.

A palavra pele é explorada em seu sentido da leveza do toque, capaz de revelar segredos por meio do mundo sensorial do tato, porta de entrada para os demais sentidos, sensações e sentimentos.  Nos versos  “A pele é o mar [...] A pele é o cântaro [...] A pele é o mapa”, retirados do poema “Carícia” (p. 6), percebemos o alcance da significação da palavra pele, lugar onde “[...] desaguam os rios da vida.”, como também local para que se “Escreva na pele do outro, / [...] / sussurro, / estrela, / carícia.” .

Conforme foi mostrado, tanto pela escolha do livro, como pela seleção dos poemas, fica evidenciado que Roseana Murray tem um projeto concreto para uma poética infantil contemporânea. Esse projeto delineia-se pelas letras do alfabeto e pela escolha do repertório semântico das palavras exploradas na condição de manual. Percebe-se também a preocupação da autora em fazer uso do seu projeto estético para calar ruídos, provocar mudanças e refazer sentidos na existência da humanidade, em meio ao caótico e ensurdecedor barulho da modernidade que, com tantos progressos tecnológicos e científicos, não deixa  tempo para a contemplação, para o silêncio, para olhar o outro e tocá-lo.

E essa é também tarefa da poesia e dos poetas: fazer calar o som estridente do mundo e fazer ouvir a voz de quem vive ao nosso lado, mas cuja existência ignoramos quase completamente, porque ela é fardo e peso – não é mais que vida vegetativa. O  cuidado da autora é maior ainda ao voltar seu projeto para o público infantil e juvenil. Esse cuidado por si só já dá mostras da sua preocupação em criar uma linguagem poética diferenciada, forte, inovadora, capaz de romper as barreiras da resistência já na infância, pois, como diz Bachelard,  “como pode um homem, apesar da vida, tornar-se poeta?” É só investir nas crianças que elas responderão no futuro, parece responder a poesia de Roseana Murray.

Autora

1Aluna do Mestrado em Letras e Lingüística da Faculdade de Letras da UFG, Professora no Colégio São José e na Faculdade Araguaia. E-mail: sonia.s.menezes@bol.com.br. Orientadora: Profª Drª Maria Zaira Turchi.

Notas

[1] A dissertação de mestrado, em fase conclusão e sob a orientação da Prof. Drª Maria Zaira Turchi, intitula-se De água e de ar: a poesia de Roseana Murray.

2 Aura aqui está empregada no sentido benjaminiano. Para maiores informações, ver BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. Trad. Sérgio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1994, p. 169.

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