REVISTA DA UFG - Tema MELHOR IDADE
Órgão de divulgação da Universidade Federal de Goiás - Ano V, No. 2, dezembro de 2003

RODRIGUES, M. C.; LEAL, C.A R. A. A.; GARCIA, P. C. O. - A extensão buscando contribuir na melhoria da qualidade de vida dos idosos. Revista da UFG, Vol. 5, No. 2, dez 2003 on line (www.proec.ufg.br)

A EXTENSÃO BUSCANDO CONTRIBUIR NA MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA DOS IDOSOS.

RODRIGUES, Minéia Carvalho1, LEAL, Cátia Regina Assis Almeida2, GARCIA, Paula Cristina de Oliveira3

   

RESUMO: Verifica-se hoje um crescimento da taxa de longevidade, e o número de pessoas que atinge a terceira idade tende a aumentar, devido ao desenvolvimento da medicina neste século. Com o crescimento desta população, aumenta a demanda de atividades de lazer e ainda há muito a ser feito para que a terceira idade se constitua a faixa etária privilegiada para vivência do lazer. Percebendo esta necessidade, em 1998, o Curso de Educação Física do CAJ-UFG implantou o projeto PAI que, contando com o apoio de professores e alunos, atende 50 pessoas idosas, desenvolvendo atividades como: dança, hidroginástica, natação, recreação, jogos e passeios turísticos. Nosso objetivo se pautou em proporcionar uma melhor qualidade de vida ao idoso, melhorando sua auto-estima e viabilizando uma mudança de hábitos e valores em relação ao corpo.
PALAVRAS CHAVES: idoso, atividade física, qualidade de vida.

 

As discussões acerca do tema envelhecimento têm ganhado maior atenção nas últimas décadas. Pesquisadores de diversas áreas do conhecimento procuram compreender melhor esse fenômeno em suas diversas dimensões.

O aumento das pesquisas direcionadas ao tema envelhecimento estão associadas a um aumento gradativo das pessoas com mais de 60 anos de idade. De acordo com Lorda (1990), em 1950, havia 200 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Em 1975, o número aumentou para 350 milhões. Atualmente, os brasileiros com mais de 60 anos chegam a ocupar 7,3% da população, e as previsões apontam que, em 25 anos, chegarão a 15% e o quantitativo mundial para o ano de 2025 será em torno de 16 milhões de pessoas com mais de 65 anos , correspondendo a 7,64% da população estimada em 212 milhões de pessoas. O crescimento da população idosa gera importantes repercussões sociais, econômicas e culturais, chamando a atenção da população para este fenômeno. Verifica-se que o município de Jataí não foge à realidade nacional, contado, de acordo com o IBGE, com uma população de 75.890 habitantes, dos quais, cerca de 4,69% se encontram na terceira idade.

Refletindo sobre esta nova realidade apresentada, os professores do curso de Educação Física do Campus Avançado de Jataí- UFG implantaram no ano de 1998 o projeto de extensão PAI (Projeto de Atendimento ao Idoso), que visa a desenvolver um trabalho de atividades físicas diversificadas junto a grupo de idosos, tendo em vista que, segundo pesquisas já consultadas (LORDA, 1990; OKUMA, 1998), esta é uma população com evidências de aumento progressivo nas próximas décadas4.           

O crescimento desta taxa de longevidade se deve a alguns fatores, como: o grande desenvolvimento da medicina neste século, principalmente no que se refere à prevenção de doenças, à melhoria na alimentação, e à queda na taxa de fecundidade observada nos últimos 30 anos, o que por sua vez pode gerar um aumento maior da população idosa em relação à população mais jovem e economicamente ativa.

Tendo em vista estas circunstâncias, surgem novas demandas sociais, principalmente no que se refere à assistência social e à saúde. O MEC tem por definição a responsabilidade com o segmento mais jovem da população. No entanto, desenvolve também um importante papel de apoio à Política Nacional do Idoso. Procura  facilitar ações educativas em relação à terceira idade, em especial, no ensino fundamental e médio, incentivo à produção de conhecimentos em Geriatria e Gerontologia, apoiando a formação de pessoal especializado na área em nível de graduação e pós-graduação e ações universitárias voltadas para a população idosa.

Pode se perceber que, no Brasil, as ações governamentais destinadas a  esta parcela da população ainda se encontram muito limitadas. Não há uma política que beneficie os idosos e deparamos-nos com uma questão social que pode colocar em desequilíbrio econômico toda a sociedade e, por isso, exige ações imediatas.

A atividade física pode ser uma grande aliada no que se refere às soluções imediatas para esta demanda social. Cada vez mais estudos evidenciam a atividade física como recurso importante para amenizar a degeneração provocada pelo envelhecimento, bem como para possibilitar  ao idoso manter uma qualidade de vida ativa.

Segundo Okuma (1998), estudos em gerontologia têm demonstrado que a atividade física aliada a outros aspectos tais como hereditariedade, alimentação adequada e hábitos de vida apropriados, podem melhorar em muito a qualidade de vida dos idosos. Embora existam questionamentos em relação ao papel da atividade física no processo de envelhecimento, há muitos dados que configuram seu benefício incontestável para aqueles que a praticam, em relação à saúde física, mental, psicológica e social.

Faculdade de Educação Física da UFG promovendo atividades físicas para a terceira idade

Pautado nesta realidade, nosso projeto visa a proporcionar aos idosos do município de Jataí-GO, uma melhor qualidade de vida, por meio da atividade física, objetivando implantar uma mudança de hábitos e valores em relação ao corpo e propiciar benefícios físicos, psicológicos e sociais ao idoso, retardando o desenvolvimento de doenças crônicas que acometem a população idosa, melhorando a auto-estima dos indivíduos e oferecendo a eles a oportunidade de uma vida mais ativa.

No que se refere ao processo metodológico para o desenvolvimento de nosso trabalho, contamos com a presença de dois professores orientadores e uma bolsista da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura. Realizamos reuniões quinzenais, nas quais são feitos estudos bibliográficos acerca do envelhecimento e são elaborados os planos de aula a serem executados pela bolsista do projeto, por meio de palestras, teatro, dança, jogos, ginástica, natação, hidroginástica e passeios turísticos.

O projeto vem trazendo embasamento teórico-prático para o corpo discente e o docente, uma vez que surgem constantes reflexões a respeito do trabalho que está sendo desenvolvido, bem como sobre os conteúdos ministrados no curso, verificando se estes oferecem subsídios teóricos que instrumentalizam os alunos para o trabalho com o grupo de idosos. Pudemos constatar, de um modo geral, que a atividade física é um recurso importante na melhoria da auto-estima dos idosos, as mudanças no corpo resultantes da atividade física alteram positivamente a imagem corporal, os idosos adquirem maior independência, sentindo-se capazes de realizar atividades que anteriormente não realizavam. A possibilidade de interação social se constitui em um dos aspectos positivos levando-os a se sentirem capazes e úteis enquanto integrantes da sociedade. A atividade física ameniza a degeneração provocada pelo envelhecimento, possibilitando ao idoso uma melhor qualidade de vida ativa, sendo benéfica para a saúde física, psicológica e social.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LORDA PAZ, C. Raul. Educação Física e recreação para a terceira idade. Porto Alegre, RS: Sagra,1990.

OKUMA, Silene Sumire. O idoso e a atividade física: fundamentos e pesquisa. Campinas, SP: Papirus, 1998.

 


1 Coordenadora do Projeto de Atendimento ao Idoso, docente do curso de Educação Física do Campus Avançado de Jataí-UFG

2 Participante do Projeto de Atendimento ao Idoso, docente do curso de Educação Física do Campus Avançado de Jataí- UFG

3 Acadêmica do 3º ano do curso de Educação Física do Campus Avançado de Jataí, bolsista do Projeto de Atendimento ao Idoso através da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura.

4 O idoso, no entender dos autores citados, é considerado como a pessoa que se encontra com 65 anos de idade ou mais.